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MPPB aciona Justiça para cobrar medidas de segurança em reservatórios da Cagepa em CG, após rompimento

MPPB aciona Justiça para cobrar medidas de segurança em reservatórios da Cagepa em CG, após rompimento

Ação civil pública pede bloqueio cautelar de R$ 10 milhões e auditoria técnica nos 22 reservatórios de Campina Grande

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) ajuizou uma ação civil pública Ambiental contra a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) para cobrar medidas de segurança estrutural nos reservatórios de água operados pela empresa em Campina Grande. A ação requer tutela de urgência para prevenir novos acidentes após o rompimento do reservatório R5, ocorrido em 8 de novembro de 2025, que provocou a morte de uma idosa, deixou feridos e causou prejuízos materiais.

A ação 0840216-65.2026.8.15.0001 foi ajuizada pelo 19º promotor de Justiça de Campina Grande, Hamilton de Souza Neves Filho, que atua na defesa do meio ambiente e do patrimônio social, e tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de CG.

Entre as medidas solicitadas à Justiça estão o bloqueio cautelar de R$ 10 milhões em contas e ativos financeiros da Cagepa, a fim de garantir a execução imediata das despesas e obras de contenção, custeio de auditorias independentes, realização dos ensaios periciais e asseguração do resultado útil da demanda; e a realização de auditoria técnica independente nos 22 reservatórios do município. 

Na ação, o MPPB requer também a elaboração de um plano de intervenção para recuperação das estruturas, com prioridade para os reservatórios R9, no bairro de Santa Rosa, e R14, em São José da Mata. O Ministério Público também pede a adoção de providências para proteger moradores que estejam em áreas sujeitas a inundações em caso de rompimento de outras estruturas.

De acordo com o promotor Hamilton Neves, o MPPB quer que a Cagepa elabore um cronograma e estabeleça uma comissão permanente de verificação dos reservatórios de água. “A Cagepa faz uma inspeção visual, que é muito superficial, não indica nem garante a segurança desses reservatórios, conforme apontado pelo laudo do IPC e pela UFCG. É preciso que sejam realizados ensaios técnicos aprofundados para que garanta a segurança de todos os reservatórios”, informou o promotor.

Falhas estruturais

O inquérito civil instaurado pelo MPPB investigou as causas do rompimento do reservatório R5, localizado no bairro da Prata. No rompimento, a força da água atingiu imóveis e vias públicas, destruiu residências e estabelecimentos comerciais, arrastou veículos, derrubou postes e transformadores e danificou o calçamento. 

Laudos do IPC/PB e da UFCG revelaram que o colapso estrutural resultou da combinação de falhas de projeto, erros de execução e falta prolongada de manutenção. O projeto original omitiu a armadura superior na laje de fundo, enquanto a parede que ruiu foi construída sobre o solo sem a contenção prevista. Somaram-se a isso a corrosão do aço, oxidação dos pilares e falhas no concreto. Além disso, infiltrações e fissuras antigas demonstram um processo contínuo de deterioração que poderia ter sido evitado com monitoramento adequado.

Além das medidas de urgência, o Ministério Público requer a responsabilização da concessionária pelos danos morais coletivos decorrentes do desastre com pagamento de indenização no valor de R$ 10 milhões. 

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