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MPPB reúne órgãos para definir fluxo de reconhecimento de paternidade de crianças com pais privados de liberdade

MPPB reúne órgãos para definir fluxo de reconhecimento de paternidade de crianças com pais privados de liberdade

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) promoveu, na última sexta-feira (14), uma audiência com representantes de órgãos estaduais e instituições que integram o Comitê Gestor Estadual para Erradicação do Sub-registro Civil de Nascimento. O encontro teve como objetivo discutir e alinhar uma proposta de fluxo para facilitar o reconhecimento de paternidade de crianças cujos pais estejam privados de liberdade no sistema prisional de João Pessoa.

A reunião foi realizada pela 56ª promotora de Justiça de João Pessoa, Liana Espínola Pereira de Carvalho. Participaram representantes das secretarias estaduais de Desenvolvimento Humano (SEDH), Saúde (SES) e Administração Penitenciária (Seap), da Defensoria Pública, do Colegiado Estadual de Gestores Municipais de Assistência Social (Coegemas) e da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen). 

Durante a audiência, foi destacada a necessidade de antecipar, sempre que possível, as providências para o reconhecimento de paternidade ainda durante o pré-natal, de modo que o registro civil da criança possa ser realizado antes ou no momento da alta hospitalar. A proposta busca integrar maternidades, serviços de assistência social, unidades prisionais, Ministério Público, cartórios de registro civil e demais órgãos envolvidos.

A promotora Liana Carvalho explicou que o MPPB já desenvolve um trabalho em parceria com os cartórios de registro civil. As serventias encaminham mensalmente à Promotoria listas de nascimentos em que consta apenas a filiação materna. A partir dessas informações, a Promotoria entra em contato com as mães e, quando o suposto pai está encarcerado, solicita à Gerência do Sistema Penitenciário (Gesipe) a apresentação remota do custodiado por videoconferência para os procedimentos necessários.

 

Orientação

Outro ponto discutido na reunião foi a importância de orientar as gestantes desde o acompanhamento pré-natal sobre o direito da criança à filiação e sobre as possibilidades legais de reconhecimento da paternidade. Também foi discutida a necessidade de mapear dificuldades estruturais existentes em algumas maternidades para a realização imediata do registro civil. 

A Promotoria informou que vai realizar visitas institucionais aos setores de serviço social das maternidades de João Pessoa para apresentar o programa Paternidade Legal e distribuir material de divulgação, fortalecendo a atuação das equipes responsáveis pelo atendimento às gestantes e famílias.

Ainda foi abordada a atuação dos Conselhos Tutelares nos procedimentos de registro civil e reconhecimento de paternidade. Na reunião também foi destacado que o MPPB mantém convênio com o Hemocentro para a realização gratuita de exames de DNA no âmbito extrajudicial, o que poderá contribuir para dar maior celeridade e segurança aos procedimentos.

Também foi ressaltada a importância da regularização da documentação pessoal das pessoas privadas de liberdade. A Seap informou que está revisando o Plano Estadual de Documentação Básica para Pessoas Privadas de Liberdade. A proposta discutida é integrar o novo fluxo de reconhecimento de paternidade a esse plano.

 

Encaminhamentos

Ao final da audiência, foram definidos encaminhamentos para a construção de um fluxo interinstitucional, padronizado. Entre as medidas acordadas estão a elaboração de nota técnica pela Secretaria de Estado da Saúde, em conjunto com o Cosems, sobre a importância de a família comparecer à maternidade com a documentação necessária ao registro civil.

A Promotoria de Justiça também encaminhará o material do Programa Paternidade Legal à Secretaria de Saúde para divulgação nas unidades da rede, especialmente nas maternidades de João Pessoa. Outro encaminhamento será a articulação para participação dos integrantes do Comitê na capacitação dos Conselhos Tutelares.

Além disso, a Promotoria vai encaminhar à Seap as orientações discutidas para organização do fluxo específico para o reconhecimento de paternidade de crianças cujos pais estejam privados de liberdade, com definição das portas de entrada e dos procedimentos necessários.

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Contatos das unidades do MPPB
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