Guarabira recebeu, nesta terça-feira (19/05), as ações do projeto estratégico “Todos por nós”, do Ministério Público da Paraíba. Pela manhã, foi realizada a oficina de prevenção com alunos do 5º ano da Escola Municipal Ascendino Toscano de Brito. À tarde, foi promovida a capacitação em escuta humanizada para promotores de Justiça e integrantes da rede de proteção.
Durante a oficina na escola municipal, os alunos receberam a revista em quadrinhos da “Turma D´Agente”, que trata da temática da prevenção à violência sexual, e participaram do Jogo da Prevenção, que de forma lúdica leva informação sobre a temática.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente, promotora Fernanda Pettersen de Lucena, destacou que a escola onde foi realizada a ação está localizada dentro de uma comunidade. “Foi uma ação muito válida, muito interessante. As crianças aproveitaram muito, jogaram mais de uma vez, aprenderam. Então, foi uma ação muito proveitosa em que elas entenderam como acontece uma violência sexual, como elas comunicam, quais são as áreas do corpo proibidas ou não. Foi uma formação muito proveitosa no sentido de prevenção da violência sexual e infantojuvenil”.
A professora Racknelly Alves destacou que, durante o jogo, as crianças aprenderam o que significa o abuso sexual e explicou como funciona a atividade lúdica. “O jogo tem 40 casas de dois tipos, a casa da proteção e a casa da ameaça. Quando, ao jogar o dado, a criança cai naquela casa da ameaça, ela recua uma casa representando que ela precisa se afastar do abuso. Na casa da proteção, trazemos elementos para mostrar situações que protegem dos possíveis abusadores, por exemplo, quem é a sua rede de proteção, o conselho tutelar. Então é desse jeito que a gente ensina e compartilha conhecimento de uma forma tranquila com pouco recurso né e é isso que a gente faz em território”.
A professora do 5º ano, Valdenize Cordeiro, ressaltou a importância da atividade. “Essa prevenção é muito importante justamente devido à comunidade ser bem atípica que requer bastante atenção. Então é preciso orientar, envolver os alunos em atividades relacionada a essa questão pra que eles possam ter um bom entendimento, conhecer a informação de forma que possam se prevenir futuramente”, declarou.
Capacitação
Na parte da tarde, foi realizada a capacitação que reuniu membros do MPPB e conselheiros tutelares, no auditório da Promotoria de Justiça de Guarabira. A realização dos capacitações conta com o apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do MPPB.
A abertura foi realizada pelo diretor do Ceaf, procurador João Geraldo Barbosa, que representou o procurador-geral de Justiça, Leonardo Quintans. Ele falou sobre a relevância do tema da proteção de crianças e da escuta humanizada e do trabalho do MPPB de aproximação com o público e de promover um olhar especial e mais humanizado, salientando o compromisso de todos os integrantes da instituição e desejando um evento bem sucedido.
A coordenadora do CAO da Criança, promotora Fernanda Pettersen, explicou que a capacitação faz parte do projeto “Todos por nós”, que vem sendo desenvolvido desde o início do ano pelo Centro de Apoio. “Esse projeto busca trabalhar em várias várias frentes para conseguirmos combater a violência sexual. Estamos capacitando promotores, conselheiros tutelares e rede de proteção para saber agir quando há uma revelação espontânea, para fazer uma escuta humanizada”.
A mesa ainda foi composta pela coordenadora da Promotoria de Guarabira, promotora Danielle Lucena, e pelo promotor de Justiça João Alexandre Targino.
Palestras
A apresentado e mediadora do evento foi a promotora Danielle Lucena. O psicólogo e professor universitário Moisés de Andrade Júnior proferiu a primeira palestra da capacitação e destacou a necessidade de sensibilização e conscientização sobre o tema. Ele ressaltou a importância de aprender a ouvir a criança de forma horizontal e não vertical, como costuma acontecer, além de abordar como os indivíduos na infância aprendem e interagem com o ambiente, enfatizando que nenhuma criança existe de forma isolada, mas sempre em relação com o outro. O palestrante também explicou como a criança percebe o mundo, elabora e lida com o trauma da violência, salientando a urgência de ajudá-la a expressar suas vivências em um espaço acolhedor e livre de julgamentos.
A segunda apresentação ficou a cargo da psicóloga e professora universitária Géssica Almeida de Freitas, que abordou as contribuições da neurociência. Entre os temas tratados, destacaram-se o estresse precoce e o trauma na infância, detalhando como tais vivências moldam o cérebro (especialmente no período formativo de 0 a 3 anos) e os danos causados ao sistema nervoso central. A palestrante apresentou os impactos físicos, socioemocionais e motores do trauma ao longo da vida, explicando como ele pode se transformar em uma doença orgânica. Foram discutidas, ainda, a arquitetura da vulnerabilidade, as manifestações psicológicas da violência sexual, as perspectivas para uma atuação assertiva e inovadora, e a estrutura de uma rede de cuidado integral.
Encerrando as apresentações, a professora do IFPB, Rackynelly Alves Sarmento Soares, lançou a revista em quadrinhos da “Turma D´Agente”. A iniciativa do IFPB Campus Sousa — realizada em parceria com o Conselho Tutelar, a Secretaria Municipal de Educação de Sousa e o Ministério Público da Paraíba, entre outros — foca na prevenção da violência sexual. Destinada a crianças e adolescentes, a publicação é uma ferramenta lúdica e acessível para o Poder Público, a sociedade e as famílias trabalharem a conscientização sobre esse tema. Além da revista, existem outras plataformas como jogo e podcast.
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