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"Todos por Nós": projeto encerra semana de capacitações para conselheiros tutelares, em Sousa

A semana especial de ações do projeto estratégico “Todos por Nós”, do Ministério Público da Paraíba, foi encerrada na manhã desta sexta-feira (22/05), em Sousa, com a realização de mais uma capacitação para conselheiros tutelares dos municípios da região. Desde a última segunda, o projeto percorreu os municípios de João Pessoa, Guarabira, Campina Grande e Patos com ações voltadas às crianças em escolas municipais e com capacitações para a rede de proteção.

A coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Criança e do Adolescente e gestora do projeto, a promotora Fernanda Pettersen, avaliou o evento como sucesso e explicou o objetivo do projeto. “O impacto, em termos de capacitação, foi grande e também de prevenção, que era o objetivo inicial desse projeto. O Todos por Nós é um projeto com viés eminentemente preventivo. Primeiro, de prevenção de ocorrência de novas violências sexuais contra crianças e adolescentes, a partir da utilização da educação como instrumento de conscientização do que é o abuso sexual, de como se proteger, sejam essas informações voltadas para as próprias crianças conhecerem essas formas de violações, os canais de denúncia, como elas podem se proteger, a necessidade de que sempre falem, de que não se calem, de que procurem ajuda, seja também voltado para os pais terem orientações de como proceder no diálogo seguro com a criança, de trazer informações de segurança, de ter um diálogo aberto com seus filhos para que eles não passem por esse tipo de abuso”. 

A promotora também ressaltou que o projeto também tem o viés de prevenção no sentido de evitar revitimizações e violências institucionais para os casos em que a violência sexual já tem acontecido. “Eu avalio muito positivamente essa reta final do projeto porque nós conseguimos capacitar diversos profissionais. Tivemos, durante toda semana, casa cheia, muitos profissionais da rede de proteção compareceram, foi uma procura muito grande. Isso

demonstra o impacto positivo que o projeto teve nessa proposta de capacitação em escuta humanizada dos profissionais que integram o sistema de garantia dos direitos das crianças e adolescentes”, disse a promotora.

Além disso, a promotora ressaltou o alcance das ações realizadas nas unidades escolares. “Os eventos com os alunos também foram replicadores de experiências positivas de educação de crianças e adolescentes porque nós percorremos diversas escolas municipais no estado, trazendo essas informações a partir da entrega de revistas em quadrinhos e da participação dessas crianças no joguinho da prevenção que consta dessa própria revista do IFPB. Com isso, também replicamos essas ações porque entregamos a revistinha aos alunos, que podem jogar com outras crianças e, a partir disso, conscientizar naqueles municípios sobre a necessidade da prevenção”.

Capacitação

Cerca de 100 integrantes da rede de proteção participaram da capacitação nesta sexta. O evento foi aberto pelo procurador de Justiça e diretor do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), João Geraldo Barbosa, que destacou o nível das palestras e a importância do tema da escuta humanizada.

A mesa foi composta ainda pela coordenadora do CAO, promotora Fernanda Pettersen, pelos promotores de Justiça Rebecca Braz Vieira, que foi a mediadora do evento, e Thomaz Ilton Ferreira, que foi o apresentador.

A capacitação contou com duas palestras centrais, sendo a primeira ministrada pelo psicólogo Moisés de Andrade Júnior, que abordou a psicologia infantil, destacando a necessidade de sensibilização e conscientização sobre a violência contra a criança. Ele enfatizou a importância de compreender a constituição da subjetividade infantil e os fatores que tornam a criança vulnerável, bem como os impactos da violência em seu desenvolvimento. Moisés Andrade ressaltou a necessidade de uma escuta horizontal e respeitosa, que crie um ambiente acolhedor e seguro, permitindo à criança expressar suas vivências sem julgamentos. Além disso, salientou que o enfrentamento da violência deve envolver a família, especialmente pais e responsáveis.

Na sequência, a psicóloga e professora Géssica Almeida apresentou as contribuições da neurociência, demonstrando que o impacto da violência e negligência nos primeiros anos de vida causa uma ruptura estrutural no organismo, sendo os problemas comportamentais e cognitivos apenas a manifestação de um "iceberg neurobiológico". Ela explicou que, na janela de máxima plasticidade cerebral (0 a 3 anos), a ausência de afeto é interpretada como ameaça, levando o corpo a desligar sistemas metabólicos não essenciais, o que resulta em déficits de crescimento e deixa marcas profundas em regiões subcorticais do cérebro. A longo prazo, esse trauma precoce pode se manifestar como doenças orgânicas crônicas na vida adulta. A palestrante alertou que, sem uma intervenção precoce e assertiva, os danos culminam no "efeito cascata", aumentando o risco de delinquência, abuso de substâncias e comportamentos violentos.

O evento também incluiu a participação da professora Rackynelly Alves, que apresentou a revista "Turma d’Agente", um projeto de extensão do IFPB Campus Sousa, em parceria com a Editora ECOS da UnB e a Conacs. O projeto foca na educação em saúde por meio de histórias em quadrinhos digitais, buscando tornar conteúdos complexos acessíveis ao público infantojuvenil através de uma linguagem lúdica e educativa. Em sua quinta edição, a revista aborda a prevenção ao abuso sexual, fornecendo orientações sobre o crime de estupro de vulnerável e promovendo a conscientização sobre um tema de grande relevância social, reforçando o papel da informação e educação como ferramentas de proteção e prevenção.

 

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