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Operação Argos desarticula Orcrim com atuação no tráfico de drogas interestadual

Operação Argos desarticula Orcrim com atuação no tráfico de drogas interestadual

Mais de 400 policiais cumprem mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão em 13 municípios dos estados da PB, SP, BA e MT; também foi determinado o bloqueio de bens, avaliados em mais de  R$ 115 milhões

 

A Polícia Civil da Paraíba (PCPB) deflagrou, com o apoio do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB) e da Polícia Civil do Estado de São Paulo, a Operação Argos para desarticular uma organização criminosa (Orcrim) com atuação no narcotráfico interestadual e cujo líder se consolidou como o maior fornecedor de entorpecentes para o Estado da Paraíba e regiões estratégicas do Sertão de Pernambuco e Ceará. 

A operação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (26/02), pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da PCPB, com o cumprimento de mandados judiciais em 13 municípios: João Pessoa, Campina Grande, Areia, Alagoa Nova, Patos, Pombal, Sousa, Cajazeiras, na Paraíba; em São Paulo, São Bernardo do Campo, Hortolândia, no Estado de São Paulo; em Cândido Sales, na Bahia; e em Nova Santa Helena, no Mato Grosso. 

Estão sendo cumpridos 44 mandados de prisão preventiva (32 deles, na Paraíba; 10, em São Paulo; um, na Bahia e um, no Mato Grosso) e 45 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 105 milhões em contas bancárias de 199 alvos e o sequestro de bens (15 imóveis de luxo e 40 veículos, incluindo carros esportivos e frotas de transporte. Esses bens móveis são avaliados em mais de R$ 10 milhões), provocando a asfixia financeira da Orcrim. Para as forças de segurança, o trabalho neutraliza o tripé que sustenta o crime: logística, varejo e capital.

Investigação

A investigação foi iniciada em 2023 pela Draco, a partir de apreensões recordes de carregamentos de drogas em território paraibano, que somam prejuízos superiores a R$ 100 milhões para a Orcrim. O cruzamento de dados de inteligência revelou que todas as cargas pertenciam a um único proprietário: Jamilton Alves Franco (conhecido como “Chocô”), apontado como líder da Orcrim. 

Foi constatado que Jamilton, nascido em Cajazeiras, na Paraíba, migrou para o estado de São Paulo ainda na juventude, tendo ascendido no crime dentro do sistema prisional paulista, ao estabelecer conexões diretas com a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), responsável por ditar as diretrizes operacionais e disciplinares da facção. 

Segundo a Draco, ao se integrar à essa engrenagem de poder, Jamilton obteve a logística necessária para se tornar o principal “hub” (ponto central estratégico) de distribuição de cocaína e maconha para o Nordeste, obtendo rápida ascensão financeira e exibindo um estilo de vida de ostentação, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo. Ele foi preso hoje, em Hortolândia-SP.

A Orcrim

A partir da análise dos aparelhos celulares apreendidos e da quebra de sigilos bancários, a Polícia Civil descortinou uma estrutura criminosa de grande poder financeiro, que operava como uma verdadeira “holding” do crime interestadual, com núcleos em São Paulo (que funcionava como “cérebro” da Orcrim, fazendo o controle estratégico, financeiro e logístico) e na Paraíba (o “corpo” da organização, responsável pela capilaridade territorial, varejo e arrecadação bruta). Quarenta integrantes foram identificados. 

A investigação revelou ainda que a rede de distribuição de drogas na Paraíba estava estruturada em subnúcleos localizados em Cajazeiras (base), Patos (hub do Sertão), João Pessoa (de onde era feita a distribuição para o Litoral), Pombal e Sousa (onde ocorria lavagem automotiva e distribuição de drogas para o Alto Sertão) e Campina Grande (que operava no Agreste). Esses subnúcleos eram responsáveis por fazer a droga chegar ao consumidor final. 

Foi constatado também que a organização criminosa usava transportadoras lícitas para camuflar as drogas e possuía um sofisticado esquema de lavagem de capitais. A investigação também revelou um braço perigoso da Orcrim: a tentativa de lavagem de dinheiro através de contratos públicos. Estima-se que o grupo criminoso tenha movimentado R$ 500 milhões, desde 2023.  

Efetivo

Mais de 400 policiais civis participam da Operação Argos, que conta com o apoio do Gaeco/MPPB, de forças especializadas como o GOE, GOC, Unintelpol, Coordeam, delegacias de Repressão a Entorpecentes de João Pessoa e Campina Grande e delegacias estratégicas da 1ª, 2ª e 3ª superintendências da PCPB. Em São Paulo, a operação tem o apoio da Polícia Civil paulista, por intermédio do Denarc, do Deic de São Bernardo do Campo e do Deic de Piracicaba, além da colaboração das polícias civis da Bahia e Mato Grosso.

Argos

O nome da operação faz referência ao gigante mitológico Argos Panoptes, o guardião de cem olhos que nunca dormia totalmente. O simbolismo reflete a atuação da Polícia Civil da Paraíba e da Draco contra o crime organizado no Estado, mesmo diante da complexidade de uma Orcrim com ramificações em vários estados do País. 

CONTATOS

 

Telefone: (83) 2107-6000
Sede: Rua Rodrigues de Aquino, s/n, Centro, João Pessoa. CEP:58013-030.
Contatos das unidades do MPPB 

 

 

 

 

 

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mppb