O coordenador de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, disse que uma política pública de saúde mental, álcool e outras drogas deve ser fomentada com a participação de diversos setores da sociedade. “As soluções não podem ser simplistas, centradas na internação do usuário. Precisamos construir alternativas de redes sociais para quem vive em situação de vulnerabilidade social”, enfatizou.
Pedro Delgado apresentou o painel “A Política de Saúde Mental para Crianças e Adolescentes e o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao tratamento e prevenção em Álcool e outras drogas”, no I Encontro Nacional entre o Ministério Público e o Ministério da Saúde. Promotores de Justiça, educadores, profissionais da saúde e do sistema de garantia dos direitos das crianças e adolescentes de vários Estados brasileiros participaram do painel, ocorrido na tarde desta segunda-feira (19), no auditório da Sede da Procuradoria-Geral de Justiça.
Durante a apresentação, ele expôs dados de uma pesquisa do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), realizada em 2004, entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública das 27 Capitais, que indicam que 11,7% dos estudantes fazem uso freqüente de álcool. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, uso frequente se refere ao uso de uma determinada substância seis ou mais vezes por mês. Ele também ressaltou o crescente uso de drogas, em particular o crack. Outro dado importante apresentado mostra que, das quase 50 mil mortes por homicídios ocorridos anualmente no Brasil, 40% ocorrem entre pessoas na faixa etária de 10 a 24 anos.
O coordenador também expôs aos presentes o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (Pead 2009-2010), que visa investir na ampliação do acesso às ações de prevenção e tratamento ao uso nocivo de álcool e outras drogas na rede de atenção mental ao Sistema Único de Saúde (SUS) até dezembro de 2010. Ele destacou a iniciativa do encontro dizendo que “sua realização é importante porque Drogas é um dos temas mais espinhosos da Saúde Pública e é necessário compartilhar com os diversos setores”.
A professora da UFPB Socorro Vieira, uma das participantes do painel, disse que a droga funciona como mecanismo de alívio do sofrimento mental. “É uma forma de esconder o fracasso do dia-a-dia”, ressaltou. Socorro afirmou que uma política pública nessa área deve abranger ações de esporte e lazer orientadas por educadores. “Hoje o que resta para os jovens em relação ao lazer é ir para as baladas e consumir álcool”, criticou.
Telefone: (83) 2107-6000
Sede: Rua Rodrigues de Aquino, s/n, Centro, João Pessoa. CEP:58013-030.
Contatos das unidades do MPPB