Não houve avanços na negociação entre médicos obstetras e pediatras do Instituto Cândida Vargas (ICV) e a secretária de Saúde de João Pessoa, Roseana Meira. Em audiência realizada, nesta quinta-feira (28), na Promotoria de Justiça da Saúde da Comarca de João Pessoa, a secretária alegou que a redução da jornada de trabalho reivindicada pelos especialistas vai gerar um impacto financeiro de R$ 936 mil por ano e que o município não dispõe desses recursos. Na próxima segunda-feira (3), os médicos vão se reunir em assembleia no ICV para discutir o assunto e decidir ou não pela deflagração da paralisação.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos da Paraíba, Tarcísio Campos Saraiva de Andrade, os obstetras e pediatras que trabalham na Maternidade Cândidas Vargas reivindicam a flexibilização da jornada devido à sobrecarga de trabalho que acaba por comprometer a qualidade do serviço oferecido às pacientes. “Estamos reivindicando a redução do número de plantões de seis para cinco; de dez para nove e de 13 para dez e a compensação dessas horas com outras atividades”, explicou.
Segundo a obstetra Yara Villar, em 12 horas de trabalho, os obstetras plantonistas chegam a atender quase cem pacientes no serviço de triagem, além de realizarem outros procedimentos (como curetagens, partos cesarianos, etc) na maternidade que é referência no atendimento à gravidez de alto risco em todo o Estado.
A reivindicação dos profissionais foi questionada pela secretária de saúde. Segundo Roseana Meira, o ICV dispõe de 14 obstetras plantonistas, diariamente, para dar conta da demanda de pacientes e a sobrecarga de trabalho dos médicos ocorre porque muitos desses profissionais atuam em serviços de outras cidades e Estados vizinhos.
Ela reclamou dos baixos indicadores de saúde apresentados pelo ICV (como alta taxa de partos cesarianos, a necessidade de reduzir a taxa de infecção hospitalar, de melhorar a qualidade dos prontuários médicos dos pacientes e o grau de satisfação dos usuários do serviço) e propôs negociar com a categoria depois que esses indicadores melhorarem. “Aplicamos mais de 17% do orçamento municipal em saúde (o percentual mínimo exigido pela lei é de 15%). Em março, a Prefeitura deu aumento de 10%, mais insalubridade aos profissionais da saúde. Melhoramos as condições de trabalho, investindo na estrutura dos serviços e na implantação do plano de cargos e carreira”, argumentou.
A secretária foi enfática ao exigir o cumprimento da jornada de trabalho por parte dos médicos e disse que, caso haja greve, “a responsabilidade do profissional com o usuário será cobrada na Justiça”.
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