Evento promovido pelo MPPB comemorou os 20 anos do Código de Defesa do Consumidor
Cerca de 200 pessoas, entre representantes da sociedade civil organizada, promotores e procuradores de Justiça e profissionais de órgãos de defesa do consumidor, reuniram-se, na manhã desta sexta-feira (10), no auditório da Procuradoria Geral de Justiça, em João Pessoa, para participar do seminário “O Ministério Público e a Defesa dos Direitos do Consumidor”.
O evento promovido pela Equipe Especializada na Defesa dos Direitos da Saúde e do Consumidor e pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional do MPPB (Ceaf) tem como objetivo discutir os 20 anos do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro (CDC), os avanços e desafios em relação à efetivação dos direitos do consumidor na Paraíba e a importância do consumo sustentável.
O seminário foi aberto pelo procurador de Justiça Alcides Jansen, que representou o procurador-geral de Justiça Oswaldo Trigueiro do Valle Filho e contou com a participação da diretora do Centro de Formação para o Consumo de Coimbra, Ângela Maria Portugal Frota, e do diretor do Centro de Estudos de Direito do Consumidor de Coimbra, Mário Frota.
Segurança Alimentar
Ângela Maria Frota ministrou uma palestra sobre segurança alimentar e defendeu a importância da educação para o consumo. “Enquanto não houver educação para o consumo, não conseguiremos de maneira nenhuma dar proteção ao consumidor. Enquanto o consumidor não for exigente e crítico, ele não vai conseguir defender a sua saúde. Se houvesse qualidade e segurança na área alimentar, os grandes problemas da saúde se resolveriam”, argumentou.
A diretora do Centro de Formação para o Consumo de Coimbra também falou sobre a importância do termo de cooperação assinado entre a Associação Portuguesa de Direitos do Consumidor e o MPPB, durante o evento. “O objetivo da parceria é a troca de informação, de experiências e o intercâmbio permanente de técnicos e especialistas. Quando a pessoa tem uma boa preparação técnica e científica, a nossa maneira de proteger o consumidor é melhor. A Associação Portuguesa de Consumo é uma sociedade científica que luta pela efetiva aplicação das leis, já que um dos graves problemas é termos muita lei que, infelizmente, não passa do papel. Com os nossos estudos científicos e fazendo pressão sobre as autoridades, vamos tentando conseguir alterar esse panorama”, disse.
20 anos do CDC
Mário Frota, por sua vez, ministrou a palestra “Por uma teoria geral do consumo” e destacou que só haverá avanços no direito do consumidor, “quando os políticos tomarem a consciência de que, no centro de qualquer política, está o ser humano”. “Por razões economicistas, isso nem sempre sucede”, criticou.
O especialista europeu em direito do consumidor exerceu, junto com o paraibano Antônio Herman Benjamim, papel importante na formulação do Código de Defesa do Consumidor Brasileiro, publicado em 1990.
Segundo ele, a atuação do Ministério Público Brasileiro foi muito importante para efetivar o CDC. “Se o Código do Consumidor hoje é uma realidade, nós deve-mo-lo, no Brasil, ao Ministério Público, que foi o parceiro preferencial da sociedade. Ao invés do que acontece na Europa, em que o Ministério Público defende o Estado; no Brasil, o Ministério Público como fiscal da lei está indissociavelmente ligado ao cidadão, à sociedade. Esse papel do MP é sumamente gratificante”, avaliou.
Mário Frota disse que, apesar das evoluções vividas ao longo de duas décadas na área do direito do consumidor, o Brasil ainda possui deficiências em relação à educação para o consumo. “Evoluiu-se muito, mas creio que o Judiciário, por vezes, não vem acompanhando as alterações, mormente nos tribunais superiores, no Superior Tribunal de Justiça, onde era necessário haver uma cultura de cidadania e decisões mais próximas dos interesses e direitos das populações”, acrescentou.
Consumo Sustentável na PB
Durante o seminário, os promotores de Justiça Francisco Glauberto Bezerra e José Farias (da Equipe Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo) e a presidente do Movimento “Nós podemos Paraíba”, Núbia Gonçalves, apresentaram o programa de consumo sustentável para o Estado da Paraíba.
Segundo o promotor de Justiça do Meio Ambiente, José Farias, essa sustentabilidade significa o consumo de bens e serviços de forma a diminuir os impactos negativos para a natureza, o que implica também no reaproveitamento de resíduos. “Toda a produção de bens e serviços tem como fonte primeira os recursos naturais e um dos princípios é o uso racional e adequado desses recursos. Todo o consumo gera resíduo que deve ser aproveitado como forma de conservar recursos naturais. Se você reutiliza uma latinha de refrigerante ou cerveja, você estará poupando 95% de energia e 90% de água, em comparação à fabricação de uma nova latinha”, exemplificou.
Ações
O programa de consumo sustentável prevê projetos e ações para fazer com que o paraibano passe a adquirir produtos de empresas que não produzem danos ao meio ambiente, que respeitem os direitos dos trabalhadores e que orientem os clientes sobre seus direitos. “Esse programa visa à mobilização social e à conscientização popular sobre a importância do consumo sustentável para a qualidade de vida presente e das futuras gerações”, defendeu Glauberto Bezerra.
De acordo com o promotor de Justiça do Consumidor, dentre as ações que poderão ser realizadas para concretização do programa estão a criação de um banco de dados sobre consumo sustentável, a educação do consumidor para o exercício do poder de compra de produtos ambientalmente corretos, a educação do produtor e do fornecedor com o incentivo à adoção de critérios de prevenção à poluição, a valorização de conceitos de certificação (como ISO 9000, ISO 14000 e ISO 22000), a produção de materiais educativos e a fiscalização de produtos.
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