Agressividade, fracasso escolar, perturbação do sono, transtornos alimentares e medo. Esses são alguns dos indicadores psicológicos apresentados por crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual. As informações foram repassadas a educadores da rede pública de ensino de João Pessoa, nesta sexta-feira (17), pela psicóloga Ana Caroline Arruda Mello, na primeira reunião do projeto “Menina Abusada”.
O projeto desenvolvido pelo Ministério Público da Paraíba, em parceria com as Secretarias de Educação da Paraíba e de João Pessoa, tem como público-alvo, nessa fase piloto, professores e técnicos de educação de dez escolas públicas localizadas em áreas identificadas pelos cinco conselhos tutelares da Capital como as de maior incidência de abuso sexual contra crianças e adolescentes.
O objetivo é sensibilizar e capacitar esses educadores sobre o assunto para formar uma rede de enfrentamento ao abuso sexual praticado contra meninas e meninos, na maioria das vezes, por pais, padrastos, tios, avôs, irmãos, vizinhos e outras pessoas que convivem com a vítima.
Durante a palestra, a especialista falou sobre sexualidade infantil, os sintomas físicos e psicológicos que crianças e adolescentes costumam apresentar, quando são vítimas de violência sexual no ambiente doméstico. As informações foram repassadas de acordo com as faixas etárias (0 a 4 anos, 4 a 6 anos, 7 a 12 anos e acima de 13 anos). Dentre os sintomas físicos apresentados estão lesões nas genitálias, doenças sexualmente transmissíveis e gravidez, por exemplo.
Prevenção
A psicóloga também apresentou aos educadores estratégias e ações capazes de prevenir o abuso sexual. “Pesquisas têm mostrado que a escola é um local privilegiado para realizar a prevenção da violência sexual, através da orientação, informação e sensibilização dos educadores, pais, crianças, adolescentes e toda a comunidade sobre o assunto”, disse.
Para prevenir esse tipo de violência, é necessário que o professor esteja bem informado sobre a violência sexual, sobre a legislação que versa sobre o assunto e os procedimentos para encaminhar as denúncias às autoridades competentes. “É importante também ouvir as crianças e demonstrar que acredita nelas. Por outro lado, a escola deve dar suporte ao educador que ouvir um relato suspeito de violência sexual, deve abrir espaço para diálogos sobre sexualidade e reflexões sobre tabus, crenças, valores acerca dos comportamentos sexuais”, acrescentou.
Na segunda etapa do projeto (que será realizada nos dias 24 e 25 de setembro e 16 de outubro), a psicóloga vai apresentar aos educadores casos clínicos de crianças e adolescentes que sofreram abuso sexual e as histórias de professores que tomaram a atitude de denunciar os casos e de educadores que foram omissos. A terceira etapa será a apresentação da peça de teatro "Menina Abusada" nas escolas e nas comunidades.
Telefone: (83) 2107-6000
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