Três máquinas de hemodiálise foram interditadas, nesta quinta-feira (24), durante fiscalização na clínica Nefruza (Serviços Nefrológicos Fiúza Chaves), realizada pela Promotoria da Saúde de João Pessoa. Segundo o promotor João Geraldo Barbosa, as máquinas foram interditadas pela Vigilância Sanitária por causa da necessidade de manutenção, sendo que duas delas estavam apoiadas em tijolos de concreto. A clínica é um serviço satélite em hemodiálise e diálise, que atende pelo SUS e convênios.
Outro problema, que foi informado pelo diretor do hospital, Mário Fiúza, é o gerador que não funciona automaticamente. Caso algum problema aconteça, uma pessoa precisa ligar manualmente.
Foram constatadas ainda balanças enferrujadas, maçanetas quebradas, problemas nos banheiros. Também foi encontrada uma bancada enferrujada dentro da sala que acondiciona os capilares e linhas utilizados utilizados na hemodiálise.
O promotor informou que, apesar de o Corpo de bombeiros não se fazer mais uma vez presente na inspeção, foi constatado na sala de bombas e motores de água a presença de fiação descoberta e de outras ligações elétricas de grande potência embaixo de canos amarrados com pedaços de fios.
Reclamações
O promotor João Geraldo informou que pacientes reclamaram que as máquinas de hemodiálise são insuficientes. “Eles disseram que chegam por volta das 8h30min e demoram cerca de 4 horas para conseguir entrar e utilizar o serviço. Eles também reclamaram da falta de vaga no transporte municipal para esse tipo de atendimento e que, por isso, têm que custear o deslocamento”, acrescentou.
Um dos pacientes reclamou que os capilares e linha chegam até a ser reusados até 20 vezes. O promotor explicou que este reuso é permitido desde que os capilares e linhas sejam submetidos ao teste do Praimer (teste de volume interno do capilar) e que o paciente não presencia este controle. Os pacientes reclamaram ainda que precisam tem que levar os próprios lençóis para forrar as cadeiras e do descumprimento do convenio de assistência e internamento firmado entre a Nefruza com outras unidades hospitalares, como o hospital Edson Ramalho.
Conselhos
O Conselho Regional de Medicina apontou a necessidade de mais máquinas de hemodiálise e de manutenção em outros instrumentos. Já o Conselho Regional de Enfermagem constatou que não existe profissional de enfermagem na Central de Material de Esterilização, bem como presença de lixo hospitalar e comum no mesmo dispensador.
Segundo João Geraldo, o Conselho de Serviço Social verificou a ausência de assistente social no hospital. “Como a unidade é referência na área de hemodiálise é necessário o atendimento pelo assistente social”, disse o promotor.
O Conselho de Nutrição informou que a cozinha é pequena e quente, e encontrou cozinheira sem uniforme, com sapatos comuns, touca preta quando deve ser branca. Já o Conselho de Farmácia informou que a única irregularidade encontrada foi ausência de controle do registro da temperatura no interior da farmácia.
Direção
Segundo o promotor da Saúdee, o diretor Mário Fiúza informou também que todos os pacientes são submetidos a exames mensais, trimestrais, semestrais e anuais de natureza específica, em quantidade maior que os utilizados para a doação de sangue.
Mário Fiúza disse ainda que, embora não exista indicação de fazer tratamento em separado, os pacientes portadores de HIV, por maior precaução, fazem a hemodiálise em sala própria com capilares e linhas que não são reutilizadas.
“O diretor demonstrou vontade de resolver as irregularidades apontadas na inspeção tão logo sejam repassadas as verbas devidas pelo gestor municipal do SUS, que não são repassadas desde dezembro de 2010”, concluiu o promotor.
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