“O Brasil não tinha necessidade de ter entrado nos transgênicos, na produção da soja transgênica, porque é o maior produtor do mundo de soja. E o que é que nós estamos a fazer? É empobrecer os agricultores e a obrigá-los a estar dependentes das novas sementes transgênicas”. A afirmação é de Ângela Maria Portugal Frota, diretora do Centro de Formação para o Consumo de Coimbra, durante palestra no I Congresso Internacional de Direito do Consumidor sobre “Segurança Alimentar: Elementar Desígnio do Estatuto do Consumidor.
A professora portuguesa explicou que as sementes transgênicas deixam “os solos exaustos com as doses colossais de agrotóxicos. Sementes que são uma bomba de agrotóxicos”. Na opinião da palestrante, os próprios insetos e as pragas adaptam-se a essas “bombas de agrotóxicos” e sofrem mutações genéticas. Com isso, a tendência é cada vez mais as multinacionais criarem agrotóxicos ainda mais fortes e a humanidade não sabe onde isso vai parar.
Para ela, “quando se acena com a bandeira de acabar com a fome no mundo, não se deve ter essa ilusão, pois não passa de uma utopia”. E acrescentou, referindo-se às grandes multinacionais produtoras de transgênicos: “Eles não estão interessados a acabar com a fome de ninguém. Estão interessados é com lucros”.
Segundo Ângela Frota, o Centro de Formação para o Consumo de Coimbra tem um trabalho sério e amplo sobre os transgênicos, que pode oferecer uma comparação da opinião de cientistas ingleses, franceses, alemães, suecos, americanos, enfim, de todo mundo ligado a departamentos de universidades, e são todos contra os transgênicos. “Só são a favor os que trabalham para essas multinacionais”, enfatizou.
Comunidade Europeia
A questão da segurança alimentar, de acordo com a diretora do Centro de Formação para o Consumo de Coimbra, é hoje uma grande preocupação da Comunidade Europeia Segundo explicou, a segurança alimentar está acima de tudo vocacionada para a saúde do consumidor. “A União Europeia tem uma grande preocupação sobre essa área porque são muitos os atropelos dessa nova engenharia alimentar. Os novos alimentos que estão a surgir no mercado, e são mais medicamentos do que propriamente alimentos, não trazem um mínimo de informação quanto aos seus efeitos negativos ou positivos”.
Diante dessa situação, a União Europeia lançou um regulamento que é de aplicação imediata e que é enviado para todos os Estados, membros da União, para que seja devidamente aplicado, de modo se preveja também a higiene dos produtos e serviços relacionados com a área alimentar. “Nós temos uma rotulagem que não diz nem de perto e nem de longe o conteúdo do produto e, portanto, a falta de segurança para o consumidor é muito séria nesse momento”, alertou a professora.
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