O Estado da Paraíba, por intermédio da Secretaria de Administração Penitenciária, tem 45 dias para adequar a população carcerária de Campina Grande à capacidade da Penitenciária Regional jurista Raymundo Asfora, o “Serrotão”, que é de 300 pessoas, mas que atualmente acolhe em situação sub-humana, segundo o Ministério Público, cerca de 620 detentos. Neste mesmo prazo o Estado deve reestruturar as instalações físicas e materiais daquele complexo judiciário.
A decisão é de juiz de Direito Fernando Brasilino Leite, das Execuções Penais, anunciada nesta quinta-feira, 3, depois de uma reunião para avaliar o seu desfecho, entre os corregedores do Ministério Público da Paraíba, o procurador Alcides Jansen, e do Tribunal de Justiça e, desembargador Nilo Ramalho, com o secretário de Administração Penitenciária do Estado, Washington França, e o promotor das Execuções Penais de Campina Grande, Antônio Barroso Pontes Neto. O corregedor-auxiliar do MPPB, Rodrigo Nóbrega, também participou do encontro.
A determinação judicial foi resultado de um pedido de interdição feito pelo promotor Barroso Pontes, após a realização de uma inspeção em que constatou, além da superpopulação carcerária, inúmeras outras irregularidades, como inexistência de classificação de apenados; de assistência aos egressos; de sala de aula destinada a cursos de ensino básico e profissionalizante; precariedade de assistência jurídica e ausência de local à realização de cultos religiosos.
O promotor das Execuções Penais concluiu ainda que, por conta da própria superlotação, as instalações da Penitenciária do “Serrotão” ficam a cada dia mais deterioradas. Segundo ele, há defeitos nos sistemas hidráulicos e de energia elétrica e, como mais agravante, a necessidade requer urgente construção de novos pavimentos para a acomodação de presos. Pelos cálculos de Antônio Barroso Pontes, o espaço físico destinado a cada detento é de apenas 3,74 metros quadrados, enquanto a Lei das Execuções Penais recomenda um mínimo de 6 metros quadrados.
Paralelo ao pedido de interdição, também corre no âmbito do Ministério Público um Inquérito Civil Público que objetiva apurar a fundo as irregularidades existentes na Penitenciária de Campina Grande. Dentre as providências adotadas pelo promotor das Execuções Penais se destaca a realização de inspeções a serem feitas no presídio pela Agência de Vigilância Sanitária; pela Secretaria de Planejamento do Estado e pelo Corpo de Bombeiros Militar. Esses órgãos vão apresentar seus respectivos relatório no próximo dia 14 de junho, quando uma nova reunião será realizada para uma avaliação final da questão.
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