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MPPB defende parceria entre polícias para combater a violência contra indígenas

O clima de insegurança nas aldeias indígenas potiguaras do Litoral Norte da Paraíba tem preocupado autoridades. Nos últimos meses, 32 caciques foram ameaçados de morte. No final de julho, o líder indígena Geusivam Silva de Lima foi executado, com três tiros, na aldeia Brejinho, localizada no município de Marcação.

 

O problema foi debatido por parlamentares e representantes do Ministério Público paraibano, na última sexta-feira (31), em sessão especial na Assembleia Legislativa (AL), em João Pessoa. Na ocasião, o promotor de Justiça de Rio Tinto, José Raldeck de Oliveira, defendeu a necessidade de parcerias entre as polícias federal, civil e militar para que seja feito um trabalho de inteligência capaz de identificar os culpados.

 

Ele destacou o apoio do MPPB aos índios. “A impressão que temos é que não estamos buscando apontar culpados pelo problema e sim buscar parceiros para solucioná-lo. Temos que buscar a Procuradoria Geral da República na Paraíba, realizar um novo encontro e buscar fazer um trabalho de inteligência conjunto entre a Polícia Federal, Civil e Militar para solucionar o problema. Mas, é preciso que se diga aos potiguaras que eles não estão sozinhos, tem a Assembleia e o Ministério Público Estadual ao lado deles”, disse.

 

Um relatório com as denúncias feitas pelos índios será encaminhando aos órgãos competentes para que as providências cabíveis sejam tomadas.

 

Atentados

 

Durante a sessão especial promovida pela AL, outra vítima da violência, o cacique Anibal Cordeiro, fez duras críticas à Secretaria Estadual de Segurança e Defesa Social. O líder da aldeia Jaraguá, localizada em Rio Tinto, sofreu atentados e chegou a levar três tiros na cabeça e dois nas costelas.

Ele acusou a secretaria de ‘vazar informações de reuniões’ com os índios e disse que policiais militares do Litoral Norte estariam envolvidos com traficantes da região. “Os policiais militares são uns bandidos, andam com os traficantes. Antes, quando a gente via um carro da PM se sentia seguro, hoje a gente corre, se esconde com medo. A polícia passa as informações para os bandidos, quando a gente presta uma queixa, no outro dia os bandidos já sabem de tudo e começam a nos ameaçar”, disse.

Outro órgão criticado pelos representantes indígenas foi o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente). “Os latifundiários, usineiros e pecuaristas podem tudo. Podem desmatar o mangue, jogar veneno nas margens dos rios para matar os peixes, camarões e ostras, mas nós não podemos nada. Às vezes se formos pegos pescando ou cortando algum mato eles dizem que não podem, que a área é de preservação ambiental e ameaçam nos prender, mas os latifundiários e pecuaristas podem tudo”, reclamou Aníbal.

Durante a sessão, o cacique geral, Sandro Gomes, cobrou da Secretaria de Segurança o sigilo das informações que são repassadas pelos índios. “A Secretaria de Segurança não pode divulgar as informações, pois não temos mais sossego, vivemos com medo, mudando de uma aldeia para outra. A gente também tem medo que estas ameaças e execução dos caciques virem vício, por isso queremos uma solução urgente”, cobrou.

 

Sessão


A sessão especial foi presidida pelo deputado Trocolli Junior (PMDB). Participaram do debate o deputado Jutay Menezes, o cacique geral Sandro Gomes e líderes de todas as aldeias indígenas potiguaras. O promotor de Rio Tinto, José Raldek de Oliveira, representou o procurador de Justiça da Paraíba, Oswaldo Trigueiro.

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mppb