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Ministro da Justiça diz que causas da corrupção têm que ser enfrentadas

Apadrinhamento político, promiscuidade eleitoral e a mistura do público com o privado são portas abertas para o surgimento de atos de corrupção

A corrupção no Brasil, segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, tem três causas que precisam ser enfrentadas e mudadas, para que o país não figure mais no cenário mundial como uma das nações campeãs em atos de corrupção, que fomentam o crime organizado e que causam malefícios à população, como a ação de lavagem de dinheiro oriunda da criminalidade e que, muitas vezes, envolve o dinheiro público.

 

De acordo com o ministro, as principais causas são a cultura enraizada na sociedade que mistura os interesses públicos com os privados; a promiscuidade política nos financiamentos de campanhas eleitorais; e a estrutura administrativa dos governos que funcionam à base do apadrinhamento político.

A avaliação do ministro da Justiça ocorreu na noite dessa quinta-feira (29), quando ele falava para os cerca de 120 representantes das mais de 50 instituições federais que integram e participavam da reunião anual da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla 2012-2013) – 10ª edição, realizada na cidade do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, desde a última segunda-feira (26).

Ao lado do procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado da Paraíba (MPPB), Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, e da da ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o ministro reconheceu que o Brasil tem avançado no combate à corrupção, mas que muito ainda tem que ser feito para se enfrentar com mais afinco as causas principais do crime de corrupção.

“Temos que fazer uma reflexão profunda para o enfrentamento das verdadeiras causas da corrupção no país. É uma delas está relacionada à questão cultural que consiste nos atos que confundem o público e o privado”, aponta o ministro, acrescentando: “É uma cultura política enraizada, desde os tempos do descobrimento. Precisamos de mais espírito republicano e separar o público do privado”.

José Eduardo Cardoso também defende uma mudança radical no sistema político brasileiro, principalmente no que se refere às eleições eleitorais. “Na forma como as candidaturas são financiadas, contribui-se para a corrupção. Na verdade, do jeito que é, favorece à promiscuidade eleitoral. Hoje são campanhas cada vez mais caríssimas e a população tem que apagar de vez aquela máxima criada de que fulano rouba, mas faz”.

A estrutura administrativa dos governos municipais, estaduais e federal tem que ser modernizada e mudada para atender à população dentro dos padrões exigidos, colocando um fim aos apadrinhamentos políticos e diminuindo a possibilidade de corrupção. “Quando um novo governo surge, não muda só a cúpula de auxiliares, mas toda a máquina administrativa. Muda-se do chefe político ao chefe da copa e da cozinha. Ou seja, há a ideia de que todos têm que ser aliados ou seguidores do governante do momento. Na verdade, precisamos de uma burocracia administrativa eficiente e que os auxiliares atuem adequadamente independente do governo”.

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