Florescer Mulheres: “Eu achava que era errado querer ter minha própria vida”

“Hoje, me sinto fortalecida. Encontrei o apoio que eu precisava para entender que posso ser independente, financeiramente e como pessoa e ser mais feliz. Eu achava que era errado querer ter minha própria vida, porque minha avó me criou pensando assim, que a mulher deveria viver para o marido. Ninguém deve ser escravo de outro. Toda pessoa precisa ter liberdade. Esse curso, embora curto, me ajudou a enxergar isso, a ter outro olhar, como mulher e como ser humano”. O depoimento é de Clara, 29 anos, professora e empresária, vítima de violência doméstica e integrante do quinto grupo operativo do projeto Florescer Mulheres, mantido pelo Ministério Público da Paraíba.

Ela é um exemplo de qualquer mulher pode sofrer violência doméstica, independente do grau de instrução, raça, classe social…, e o que pode mudar a história de uma vítima é como ela vai lidar com essa situação. Apesar de ter carteira de habilitação, ela disse que não dirigia e que saiu da casa da avó para morar com a família do marido, embora seu sonho fosse ter seu próprio lar. Hoje, ela está mudando sua própria realidade e se diz feliz.

Clara contou que sofreu violência doméstica há dois anos e prestou queixa contra o companheiro. Em alguns momentos, quis voltar atrás, mas recebeu apoio da Promotoria da Mulher para ir adiante, entendendo que o processo é necessário, mesmo que tenha decidido se reconciliar com o marido. “Estamos juntos, mas com outra cabeça. Ele vai participar do Projeto Refletir (uma iniciativa também do Ministério Público voltada para reduzir a reincidência da violência). Esses projetos ajudam a mudar a nossa mente”, disse.

 

Disseminando a mensagem

O último grupo operativo para mulheres vítimas de violência foi encerrado nessa quinta-feira (04/10), com a participação de cinco mulheres com histórico de violência. Elas, inclusive, darão seus depoimentos em um evento do Dia Nacional de Combate à Violência contra a Mulher, organizado pelo Unipê, em parceria com o Ministério Público, que vai acontecer no próximo dia 10, no auditório do centro universitário, das 13h às 22h. As inscrições devem ser feitas via formulário eletrônico no endereço : https://bit.ly/2lTNsyK.

A promotora de Justiça que atua na área da violência doméstica em João Pessoa, Dulcerita Alves, é gestora e executora dos projetos Refletir e Florescer, na Capital, que têm o objetivo de quebrar o ciclo da violência doméstica. As iniciativas são desenvolvidas na ótica de que punir é necessário, mas é preciso trabalhar para evitar que as agressões se repitam.

“O projeto florescer está crescendo, se tornando mais forte. As próprias mulheres viram que não estavam sozinhas naquela situação, criaram um grupo de WhatsApp e criaram uma espécie de slogan 'sozinhas somos pétalas, juntas somos rosas'. Assim, se fortalecem entre elas. Aproveitando o gancho do Outubro Rosa, falamos do autocuidado e elas disseram que, após as oficinas e o contato com outras mulheres, estão se amando mais; a autoestima aumentou. Logo quando elas souberam do projeto, ficaram com medo, porque pensavam: 'eu sou vítima e vou participar disso?'. No encerramento, elas deram depoimentos emocionantes de como o grupo ajudou a superar a condição de vítimas e chegaram a dizer que foi a melhor coisa que aconteceu na vida delas”, disse a promotora.

O projeto é executado em parceria com o Centro Universitário de João Pessoa (Unipê), contando com a participação da professora Leda Maia, como facilitadora, e dos estudantes Gabriel Guedes e Rebeca Schulze.

O projeto

Segundo Dulcerita Alves, o próximo grupo operativo do Florescer será iniciado no próximo dia 17. O público-alvo são mulheres vítimas de violência que estão processando seus companheiros ou ex-companheiros. O contato é feito pela Promotoria da Mulher. O objetivo é despertar para a reflexão sobre a não aceitação de relacionamentos abusivos.

Para saber mais sobre o serviço, as mulheres devem se dirigir ao CAO Cidadania e Direitos Fundamentais, que funciona na Avenida Almirante Barroso, 162, Centro de João Pessoa, de segunda à quinta-feira, das 12h às 18h, e na sexta-feira, das 7h às 13h, Informações também podem ser solicitadas através do telefone (83) 3221-1500 ou do e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..