Desigualdade de gênero: apenas 2,8% dos cargos mais altos são ocupados por mulheres

Apenas 2,8% dos cargos mais altos nas empresas brasileiras são ocupados por mulheres. O dado foi informado e discutido durante o webinário "Igualdade de gênero: avanços e o que há a conquistar", promovido, nesta sexta-feira (11/09) pelo Núcleo Estadual de Gênero e organizado pelo Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do Ministério Público da Paraíba.

O evento teve como palestrantes a promotora de Justiça do Ministério Público de Pernambuco, Geovana Belfort; a juíza do Tribunal de Justiça de Pernambuco, Marylusia Feitosa, e a delegada da Polícia Civil daquele Estado, Tereza Nogueira. O procurador de Justiça e coordenador do Núcleo Estadual de Gênero do MPPB, Valberto Cosme de Lira, será o mediador do debate.

O evento foi aberto pelo procurador Valberto Lira que destacou avanços obtidos pelas mulheres, entre os quais a Lei Maria da Penha, de 2006, e também necessidade do enfrentamento às desigualdades que ainda perduram na sociedade.

 

Palestras

A primeira palestra foi proferida pela delegada Tereza Nogueira. Ela ressaltou que a desigualdade de gênero e a violência contra a mulher é anterior aos textos bíblicos. De acordo com a delegada, ao longo da história a mulher foi coisificada, vista como sexo frágil, mesmo na antiguidade clássica, berço da democracia.

Tereza Nogueira fez um histórico das conquistas das mulheres como o direito ao voto, a Lei do Divórcio, a Lei Maria da Penha, do Feminicídio e contra a vingança pornográfica. Ela falou ainda que, na experiência que teve durante o tempo em que atuou na Delegacia da Mulher de Recife, testemunhou a efetividade da Lei Maria da Penha na proteção à mulher vítima de violência doméstica.

Para a delegada, apesar das conquistas, ainda há muito a avançar porque é necessário um processo de desconstrução que ultrapassa a letra da lei. Para tanto, é necessário educação e uma presença maior dentro das escolas.

A promotora Geovana Belfort declarou que a ideia da mulher como ser inferior vem se perpetuando ao longo da história. “O homem sempre teve o direito de exercer a vida pública. Já às mulheres foram destinadas as tarefas de reprodução, criação dos filhos e os afazeres domésticos, trabalho que era desvalorizado socialmente”.

Conforme a promotora, um dos pilares do machismo é a definição do que é ou não masculino. Em razão disso, os homens sempre foram considerados melhores líderes, pois as mulheres eram vistas como mais frágeis, porque menstruam e amamentam. “Ainda vivemos nessa sociedade que favorece o gênero masculino. A mulher sempre foi vista como objeto, ser inferior e propriedade. Tudo isso resulta na violência nas diversas formas”.

A promotora também ressaltou a importância da educação para a transformação da sociedade. “A igualdade de gênero é fator essencial para criar uma cultura de direitos humanos, paz, cidadania e justiça. E um dos pilares dessa transformação é a educação para a diversidade e o respeito as diferenças”.

A juíza Marylusia Feitosa falou sobre a experiência na Vara da Violência Doméstica de Recife, onde atua. Ela contou que, atualmente, existem 10 Varas da Violência Doméstica em Pernambuco, tendo sido a primeira instalada em 2007, pouco tempo após a Lei Maria da Penha entrar em vigor.

A palestrante relatou que a Vara dispõe de equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, assistente social, entre outros profissionais e que são desenvolvidos dois projetos. O primeiro chama-se “Acolher” e é destinado às mulheres vítimas ou não de violência.

O segundo é o projeto “Novo Horizonte” destinado aos acusados de agressão. A juíza pontuou a importância do foco também nos homens para mudança de mentalidade deles e, por conseguinte, a diminuição da violência contra a mulher.